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Ultima Atualização : 26/02/2012 Data : 23 de Setembro de 2014  
Maze

Matamba, Kaiango

Matamba é um Nkisi feminino. Nkisi da espada do fogo, dona da paixão, Matamba é a rainha dos raios, dos ciclones, furacões, tufões, vendavais. Nkisi do fogo, guerreira e poderosa. Mãe dos Mvumbi (mortos), guia dos espíritos desencarnados, senhora do cemitério. Nkisi da provocação e do ciúme. Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase "estou apaixonado" tem a presença e a regência de Matamba, que é o Nkisi que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado no campo amoroso. Matamba rege o amor forte, violento.

Matamba é também a senhora dos espíritos dos mortos, dos Mvumbi. É o Nkisi dos cemitérios.

É ela que servirá de guia, assim como o Nkisi Kingongo, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma.

O fogo é o elemento básico de Matamba. O fogo das paixões, da alegria, o fogo que queima.

Na Mitologia Bantu - Mbambulucema, Bamburucema ou Matamba - Ligada aos ancestrais Yumbi Nvumbi e ao fogo, bem como aos fenômemos que vem no Duilo (céu), como tempestades, etc. É o caminho do Orixá Ọya do Candomblé Ketu.

Kaiango

Têm o domínio sobre o fogo. É a manifestação surgida a partir do resfriamento da Terra enquanto o magma resfriava e as chuvas aconteciam. Comanda os Nvumbe (espíritos daqueles que morreram) e detém o domínio sobre os pós mágicos.

Encontramos referências a essa divindade em Nei Lopes que dá como sua origem o Congo, sendo a palavra derivado de Yangu acrescido de um prefixo diminutivo Ka, ou do substantivo Nkai que traduzindo seria avó. Também ele registra a forma Caingo cuja tradução seria velho, fraco, doente, debilitado. Óscar Ribas por sua vez situa sua origem como sendo da área lingüística do kimbundo, portanto angolana, e nos informa que a divindade é esposa de Mutakalambô, portanto uma divindade ligada à caça. Manuel Laranjeira Rodrigues de Areia registra esse Nkisse entre os Luenas, os luvali e os lucazi como a divindade da adivinhação com a etmologia Kaiangu. Edison Carneiro encontrou-a nos candomblés bantu da Bahia de sua época. É cultuada no Tumbansi, Itapecerica da Serra. Novamente daremos a voz a Itana Mutararê, que em interessante postagem nas páginas do Orkut nos brinda com uma vasta explicação sobre o Nkisi Kaiangô. Ouçamo-la:

Kaiongo –s.f. Espírito feminino que constitui uma das mulheres de Mutakalombo. Entidade espiritual conubiada com essoutra entidade espiritual. Termo quimbundo Fonte: -- Dicionário de Regionalismos Angolanos, pág. 140 -- de Oscar Ribas -- 1994 – Editora Contemporânea.

Durante meus primeiros estudos sobre o ngombo, encontrei uma resenha de Ramon Sarró sobre o livro ‘SE ISTO É UMA CESTA” da Etnógrafa Sonia Silva. Descrevendo o que leu diz ele: “Entre os Luvale, só poderão ser adivinhos aqueles que sofreram de uma determinada doença cuja cura tenha envolvido a possessão dos seus corpos por kayongo, o espírito da adivinhação. A possessão e a capacidade divinatória constituem a sua cura — porém, sempre que tente abandonar a adivinhação, o homem será novamente acometido pela doença. Kayongo, um espírito metaforicamente associado ao vento, é também o espírito que toma posse da nova cesta de adivinhação mediante a transferência das peças da antiga lipele para a nova.”Essas duas informações sobre Kayongo, em que ela seria a esposa de Mutakalombo e em outra região, seria o espírito da adivinhação e metaforicamente associado ao vento, não poderiam ficar dissociadas das informações anteriores que obtive dos meus mais velhos no Candomblé.

Kaiango, é o fogo da terra, a parte ígnea da Terra; principio por onde passam todos os caminhos que têm relação com este elemento primordial, FOGO EM BRASA, EM LAVAS. Todos sabem que os bantu habitam esses 3 reinos, Angola, Matamba e Congo, desde períodos pré-históricos, no período paleozóico quando a terra ainda esfriava... Lembram das “pegadas de Zambi na África”??? Assim, logicamente, todos os mitos devem ser buscados desde essas eras Kaiango Tem ligação com Ntoto uá Zaba (as profundezas da terra que se comunica com o céu), nos domínios do Nkisi Nsumbu, com quem compartilhou grandes segredos, os quais somente ela conhece e a ela pertence. Mais para cima dessas terras profundas, também tem ligação com Kavungo, onde nesses domínios, as cavernas, visita com suas ventanias, é bem vinda e festejada.

Kaiango É A GRANDE SENHORA DO FOGO PRIMORDIAL, DAS BRASAS DO INTERIOR DA TERRA, enquanto Nzazi é o grande Senhor do Fogo Cósmico que rasga os céus desde os tempos primordiais. No momento em que a Terra iniciou o seu resfriamento, surge a FUMAÇA (não uma fumaça qualquer, mas uma fumaça das brasas vulcânicas, resultante do processo da criação deste mundo)... É A ENERGIA DE Kaiango SE TRANSMUTANDO, CRIANDO CAMINHOS... Fumaça é a representação do ar, do vento na forma mais simples e elementar da Criação. A Natureza Ígnea se transmuta em fumaça primordial e cria novos caminhos sem, contudo perder a sua ligação com o fogo primordial de centro da Terra. Mas... FOGO É FOGO, FUMAÇA É FUMAÇA. A nuvem de fumaça, o movimento da fumaça, a presença de fumaça em florestas, em lugares úmidos, sem duvida nos reporta a imaginar a forma das almas dos antepassados da humanidade. Dessa forma, Kaiango está ligada à criação do mundo, tendo sua própria natureza associada aos VENTOS e como resultantes de seu movimento, novos caminhos se criam para a existência dos redemoinhos de ar e tempestades. Na África, nas regiões do Kongo, ocorrem tempestades de ventos impetuosos tão formidáveis que fica tudo em trevas. Para dissipar esse estado atmosférico tão carregado e que traz tantas dificuldades, realizam-se rituais.

O vento também faz parte do sistema divinatório dos Ngangas, conforme podem ver, citado acima, entre os Luvale; sem ele acreditam que não receberiam a visita dos espíritos, principalmente em seus sonhos. O VENTO TRABALHA em favor dos africanos... “entre os povos Humbe a ajuda do vento é primordial na operação de separar a palha dos grãos de massambala” Estudos da Mitologia bantu --- Tata Nkasute, página 94. Porém a Natureza não pára de se transmutar para GERAR NOVOS ELEMENTOS. Como conseqüência NOVOS CAMINHOS. Com as mudanças climáticas, previsíveis no processo de formação da terra, vieram as CHUVAS. A CHUVA vem da evaporação devida ao ar quente sobre as águas dos rios, dos lagos, poças. No encontro das camadas de ar frio, com ar quente as poeiras da atmosfera se condensam e desaparecem, ocorrendo a precipitação Mais uma vez a Natureza se transmuta e sem perder seu principio original abre caminho para UAMBULU NSEMA (BAMBURUCEMA) - a grande SENHORA DO FENÕMENOS ASSOCIADOS À SOBRECARGA NA ATMOSFERA, de calor, umidade e vento, culminando em TEMPESTADES DE CHUVA, RAIOS E TROVÕES.

Características

Cor Vermelho, Vanju - Marrom
Ervas  
Flores  
Frutas  
Louvação
  • KIUÁ KAIANGU - Viva Kaiango
  • KIUÁ MATAMBA - Viva Matamba
Saudação
  • MAMETU MUKUA ITA MATAMBA - Viva a mãe e grande guerreira
Titulo Mametu Mujinda - Mãe das Tempestadas

Qualidades

  • ndembure
  • bamborossena
  • inda matamba
  • katamba
  • lemboadinan
  • sinavanju
  • nsinavulu
  • mavanju
  • muigangá
  • karamose - Muito quente. Pior que Bagan
  • guriman
  • simbele
  • daminajo
  • sitamba

Lendas

Nbana A Mãe De Nove Filhos

Mulher, ser de temperamento quente extremamente sedutora e não aceitando submissão, acabou provocando discórdias por alguns reinos que passara e para despistar os inimigos que passaram a persegui-la se escondia embaixo da pele de um búfalo que corria campos e florestas tão rápida como o vento. Ao perceber que estava perto de um vilarejo, parou em cima da casa de okitiogan, cavou um buraco e escondeu sua pele. Okitiogan logo percebeu que mukumbi (rei soberano daquelas terras) vinha no encalço do suposto animal, pois tinha como costume caçar todos os dias, mas quando chegou não vira mais o animal, mas sim uma linda mulher de um belo andar, continuou escondido na floresta onde foi avisado por okitiogan o que havia acontecido e onde a pele estava escondida. Mukumbi tratou logo de se apoderar da pele e levou a mesma para casa, logo depois seguiu a mulher e tratou de cortejá-la, mas desconfiada a bela mulher por não saber que se tratava do rei soberano não deu atenção aos galanteios de mukumbi que já com uma idade madura e fala firme não demorou a revelar que sabia de seu segredo e se a mesma não viesse morar em sua companhia revelaria a todos que ela era na verdade uma mulher animal.

Diante da situação a bela mulher acompanhou mukumbi até o seu castelo onde ele mukumbi a apresentou as suas outras esposas e disse: de hoje em diante esta mulher viverá como minha esposa e nunca deverá ser aborrecida.

Mukumbi viveu com essa mulher por muito tempo e desta união nasceram 9 filhos dos quais 8 nasceram mudos e quando estava para nascer o 9º filho mukumbi aconselhou a mulher a procurar o babalaô que morava um pouco distante do reino, o babalaô então revelou o seu erro que por não seguir as proibições alimentares dava a luz a filhos com deficiência, e determinou que daquele dia em diante não comesse mais carneiro e sim cabras, e que deveria fazer um sacrifício a ifá. Quando terminou de fazer o que o babalaô havia dito ela deu a luz ao 9º filho que falava com voz estranha e sobrenatural, pois imitava a voz de um macaco consagrado aos espíritos infantis. Por ser um ser muito agressivo vivia correndo pela floresta, pois não morava entre seu pai e irmãos e sempre que a mãe saia para buscar material para mukumbi fabricar suas armas ele atacava os irmãos e todos que se pusessem a sua frente, pois somente sua mãe sabia o segredo de dominá-lo. Como vivia na floresta logo ficou amigo de kalunje ngombe que também vivia na floresta, perigoso e com seu exercito atacavam todos em busca de alimentos, matando sem piedade. Em uma de suas saídas para buscar material para mukumbi, a bela mulher ficou sabendo que bem perto dali chegava um exercito de inimigos que em busca de domínio de terras espalhava o terror e dizimava aldeias e reinos, a mulher então tentou avisar seu marido mukumbi, mas não teve tempo, pois o exercito inimigo já estava pronto para ataque.

Correu então para casa mais próxima, onde morava o babalaô que sabendo do problema determinou que ela pedisse auxilio a seu 9º filho, aquele que vivia na floresta e só respeitava sua mãe, fez então o que o babalaô determinou. Caminhou até a floresta rasgou seu vestido tirando um pedaço de pano e sobre ele colocou algumas cabaças com comidas para atrair seu filho, gritou então por seus antepassados e como mágica o pano se ergueu, era seu filho agora vestido e empunhando as cabaças investiu com toda fúria para cima dos inimigos matando todos aqueles que não conseguiram fugir, quando voltou a presença da mãe ela o saldou e as galinhas que viviam na floresta se puseram a cacarejar de espanto com tamanha grandeza e o brilho do pano vermelho que agora vestia aquele ser estranho de voz sobrenatural (até hoje as galinhas cacarejam quando vêem algo de estranho). De volta ao reino de mukumbi cansada e com fome a mulher deparou com as outras esposas de mukumbi que com ironia cantavam você pode comer e beber, mas sua pele esta no celeiro, furiosa com as mulheres foi até onde se encontrava sua pele de búfalo, vestiu e voltou matando todas as mulheres pisoteando sem piedade retirou seus chifres e entregou aos filhos dizendo quando precisarem de mim bata um contra o outro e eu virei ao seu auxilio, pois o vento levará até mim o sinal de socorro...

Fugiu então para a floresta junto ao seu 9° filho. Esta bela mulher sedutora e de andar gracioso com a fúria de um animal é nada mais do que nbana, a mãe daquele que fala com voz estranha e sobrenatural. Hoje quando louvamos os mortos e o pano toma vida, lembramos daquela que sem dúvida deu vida a este elo, e nossos ancestrais que dançam para nos reverenciar com certeza são seus súditos.

Ke ambote nengua mavanju - kiua matamba

Notas

  • Nvumbi, nos cultos de origem Bantu, termo que designa o morto e principalmente o chefe de terreiro falecido. Tirar a mão de vumbe: realizar rituais para libertar uma pessoa ou terreiro da tutela espiritual de um pai ou mãe-de-santo falecidos. Do quicongo evumbi=morto.

Referências

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